Entrar domingo, 20 de Maio de 2012
 Padrões mais típicos

As actuais máscaras angolanas oferecem no panorama da sua distribuição e relação de estágios evolutivos entre si, um triplo ponto de vista a sistematizar, respectivamente, como segue:

a) Zonas típicas mescladas e interpenetradas por elementos atípicos ao seu padrão.

b) Modelos acomodados e associados. Alterações.

c) Estratos ou níveis da escala evolutiva, reciprocamente influenciados.

 

A inter-penetração explica-se pela natural mobilidade das culturas e pelas suas correntes, as quais correspondem, em muitos casos, às migrações de povos, agentes veiculares dessa distribuição.

 

As acomodações, associações e alterações provêm do contacto, consórcio e cópia de modelos, praticada reciprocamente pelos diversos povos.

 

A sobreposição de estratos determina-se pela existência de elementos distintos entre si e sucessivamente mais evoluídos, na escala vertical da sua relação.

 

Neste termos, a mobilidade cultural da máscara manifesta-se em todas as dimensões.

 

Definindo e limitando, o que é sempre difícil, mas indispensável às sistematizações etnográficas de Angola, fixem-se em três, nesta síntese, os estratos mais evidentes, a saber:

a) Estrato inferior duma antiga cultura, representada pelas máscaras de cordoalha e entrançadas ou de entrecasca ou líber. A sua área de expansão principal determina-se no Centro e Sul de Angola, ramificando-se.

b) Estrato intermédio, ou média cultura, constituído por máscaras de entrecascas preparadas, com faces de resina moldada, assentes sobre armações de varas. Tem como domínio principal o Centro e o Nordeste de Angola.

c) Estrato superior ou da nova cultura, expresso por máscaras de madeira cavada e esculpida. Tem como zonas mais importantes o Centro, o Nordeste e o Norte de Angola.

 

Dum ponto de vista de execução e particularidade artística, nota-se que as máscaras do estrato inferior, ou mais antigas, são obra de manufactura relativamente simples (Fig. 1 e 2) .

 

                                            

                                                     Figura 1                           Figura 2

No estrato seguinte ou intermédio há a notar a face de resina moldada directamente, a qual se apresenta como um passo a caminho da máscara de madeira esculpida do estrato superior, e ainda o facto das abas e peças acessórias da máscara de resina serem totalmente cobertas por pinturas decorativas de tipo geométrico, obtidas pela aplicação de argilas coloridas e variadas (Fig. 3 e 4).

                                        

                                                      Figura 3                            Figura 4

O estrato superior ou mais recente, da nova etapa da máscara,  integra-se na cultura que dos escultores de madeira, participando dos estilos das escolas de escultura africana e atingindo muitas vezes realizações de elevado mérito (Fig. 5 e 6).

                                            

                                                     Figura 5                       Figura 6


    
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