As festas de Camacupa eram conhecidas em Angola inteira, pela grandiosidade das mesmas, pela animação que sempre tinham, pela alta qualidade dos animadores, pela sua duração e muito especialmente pela beldade e simpatia das suas raparigas e rapazes.
Para garantir a qualidade das festas era necessário que, em primeiro lugar, a música fosse do agrado de toda a gente e, de facto, ou os conjuntos que eram chamados a actuar tinham qualidade já comprovada ou os discos eram os da última moda e faziam parte da lista os discos do Congo, a Rumba Escandalosa, o merengue Majuba, tangos diversos (muitos), diversíssimas valsas, a Mariana Rebita, os merengues africanos, uma moda muito especial que era a Dona Antónia Candongueira, muitas marchinhas Brasileiras e aquilo a que chamávamos “música para constituir família”.
Toda a gente sabia dançar, porque era um hábito que passava de pais para filhos e logo de pequeninos era vê-los, miúdos e miúdas agarrados a dançar no meio da pista. Por vezes até os cães de casa andavam atrás dos donos, dando todas as voltas que eles davam na dança.
Uma história interessante contada pela Nené e que se relaciona com os bailes em Camacupa, conta assim:
“Tenho assistido a um enumerar de nomes e de repente veio-me à ideia um. Trata-se do nome de uma pessoa muito querida e que ele próprio reinava com o seu nome. Era o Sr. Luis Morto de Sangue Puro sem Medo. Lembram-se dele?
Quando se metiam com ele por causa do nome ele logo respondia que a sua firma era Morto e Filhos, Lda.
O Morto, que trabalhava no Desportivo, mais precisamente na Associação, era uma pessoa muito alegre. Era o encarregado de colocar os discos nos bailes. Uma vez a Emília Santos Marques num desses famosos bailes disse-lhe: "Morto, põe Oscuras" (não sei se se escreve assim), que era o nome de um tango muito bonito.
Ele prontamente respondeu: Aka menina, às escuras não pode, o sr. Presidente não deixa. Pensava ele, que era para apagar as luzes do salão, imaginem!”