Entrar domingo, 20 de Maio de 2012
 Canto I

CANTO PRIMEIRO (65 Estâncias)

 

Não pretendo cantar lutas gloriosas

Desses antigos reis e outros senhores,

Já gabadas em versos e altas prosas

Por alguns de mais rápidos louvores,

Mas sim aquelas duras, perigosas,

As mais negras, sem fim e sem favores,

Desses aventureiros de espantar

Que venceram as terras e o alto mar!

 

Olhos ténues do céu azul e distante

Que sois luzes de estranhos universos,

Eis, bem erguida, minha lira sonante

P’ra relatar por estes pobres versos

Quanto labutou o luso navegante

Nestes ocidentais rincões imersos,

Bem longe, nas lonjuras tão profanas

Das seculares costas africanas!

 

Apenas pra os de triunfos merecidos

E que, de pó, seus feitos silenciosos

Estavam já cobertos ou sumidos

P’la pata de inimigos temerosos,

A eles, de tantas lutas esquecidos,

Louvo a Calíope, para que animosos

Vibrem os seus, em som alto e mais forte

Contrariando os caprichos d’outra sorte!


    
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