Entrar domingo, 20 de Maio de 2012
 Canto II

CANTO SEGUNDO (171 Estâncias)

No Reino do Congo

 

Os negros barulhentos, todos ledos

Na festa com que os lusos recebiam,

Por vencerem as lendas e alguns medos

Das tantas terras que, vendo, possuíam,

Entre si, com recato e alguns segredos,

Mais dobrados cuidados lhes faziam,

Sem esconderem seus tratos e modos

Dum apreço e respeito dado a todos.

 

Em tão gratas mercês deles ficavam

Que deixar sair ninguém desejaria,

Pretendendo aprender quanto ensinavam

Do seu muito saber, fé e valentia.

Por diversos locais tambores soavam

Convidando ao batuque a negraria,

Cada qual em seus trajos mui variados

E aos outros parecendo desusados.

 

Corpos cobertos só das baixas partes

Com troncos nus e braços musculosos,

Outros fêmeos, gentis, de finas artes

Dançavam e saltavam mui graciosos,

Fazendo certas coisas sem desastres

Com pulos, gestos, gritos estrondosos;

O visitante espantado ficava

E, de certo modo, isso não admirava!


    
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