CANTO SEGUNDO (171 Estâncias)
No Reino do Congo
Os negros barulhentos, todos ledos
Na festa com que os lusos recebiam,
Por vencerem as lendas e alguns medos
Das tantas terras que, vendo, possuíam,
Entre si, com recato e alguns segredos,
Mais dobrados cuidados lhes faziam,
Sem esconderem seus tratos e modos
Dum apreço e respeito dado a todos.
Em tão gratas mercês deles ficavam
Que deixar sair ninguém desejaria,
Pretendendo aprender quanto ensinavam
Do seu muito saber, fé e valentia.
Por diversos locais tambores soavam
Convidando ao batuque a negraria,
Cada qual em seus trajos mui variados
E aos outros parecendo desusados.
Corpos cobertos só das baixas partes
Com troncos nus e braços musculosos,
Outros fêmeos, gentis, de finas artes
Dançavam e saltavam mui graciosos,
Fazendo certas coisas sem desastres
Com pulos, gestos, gritos estrondosos;
O visitante espantado ficava
E, de certo modo, isso não admirava!