Entrar domingo, 20 de Maio de 2012
 Poema Salalé

     Delicado Salalé porque te deixas apanhar pelas crianças?
     Eu perguntaria até, porque é... oh Salalé!

     Tenho reparado que o voo é dissimuladamente provocador,
     Que baixas a rota para estares à altura.
     E também já vi que as tuas asas brancas no fundo azul do céu são de anjo.

     Mas o que me causa mais espanto
     É essa necessidade de seres apanhado por aquelas mãos tão pequenas.
    Como se a tua força de formiga operária, de construções tão altas
    Fosse útil para a felicidade e o riso apenas.

    Porque voas assim baixinho em falta?

    E outra coisa ainda, estranha...
    Nas mãos dos companheiros das tuas fatais brincadeiras
    Nesse choque aéreo, não há sangue nem feridas, só macieza.


    Eu perguntaria, até, oh Salalé,
    porque é...
    Que tu morres pelas crianças do Bié.


    
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