Entrar domingo, 20 de Maio de 2012
 Alberto Francisco Monteiro

BIOGRAFIA DA FAMÍLIA MONTEIRO

Por Maria do Céu  Monteiro Pereira

 

Meu pai, Alberto Francisco Monteiro, nasceu a 9 de Abril de 1903, em Verdugal, perto da cidade da Guarda em plena Beira Alta e aí viveu até aos 20 anos. Nessa altura foi de visita à terra natal o Sr. Francisco Monteiro que vivia em Angola, na Chivangurula, Bié e entusiasmou alguns conterrâneos, entre eles o meu pai, a irem para Angola.

Minha avó era viúva e não queria que ele partisse pois só o tinha a ele e a uma filha, mas lá consentiu pois ia também uma senhora sua amiga, D. Maria Cândida Dias, seu marido Sr. Manuel, e filhos – Zulmira, Ermelinda, Lucinda e José Manuel. Embarcaram no «Mouzinho de Albuquerque» em Outubro de 1923. Foram viver para a Chivangurula povoação que o Sr. Monteiro pretendia fazer uma grande terra.

Meu pai ali viveu algum tempo, depois foi para o Chinguar e quando o C. F. B. avançou, mudou-se para Camacupa, crendo que esta terra teria maior progresso. Abriu uma sapataria e mais tarde uma fábrica de curtumes, para assim ter os artigos necessários ao fabrico de calçado e também comerciá-los para muitas terras de Angola e da Metrópole. A fábrica de curtumes estava rodeada de riachos o que facilitava o enchimento dos grandes tanques onde as peles eram curtidas de diferentes maneiras conforme a espécie. Algumas eram curtidas com produtos químicos e outras com casca de árvores que eram moídas em máquinas e mais tarde por uma grande roda hidráulica, feita pelo sr. Jaime Columbano, natural de Camacupa. Foi de admirar esta sua iniciativa pois não tinha qualquer conhecimento da arte de curtir. Adquiriu livros que o orientaram. Teve muitos empregados, naturais de Angola e da Metrópole e lembro-me de o meu pai dizer que o Afonso um angolano culto, era muito competente e em quem depositava a maior confiança. A Rosalina sua mulher foi minha ama-de-leite. O Guilherme, o Catumbela e outros naturais de Camacupa também trabalharam na fábrica de curtumes. Na sapataria trabalharam, o Ramiro Lorena, filho do Sr. Lorena Guarda-Livros da firma Joaquim Martins, o Marcolino, o Jaime, o Firmino e outros.  

Meu pai não se contentou só com a sapataria e os curtumes, tinha uma «chitaca» com muitas árvores de fruta e horta e num dos riachos havia o famoso agrião.  Tinha o hábito de se deitar cedo, mas às 4 horas da manhã, logo que raiava o dia, ia para a fábrica de curtumes. Lembro-me que o meu pai chegava a casa à tardinha, gostava de repousar um pouco antes do jantar e nessa altura contava histórias a mim e aos meus irmãos…A poesia “A Nau Catrineta” foi meu pai que me ensinou.

Minha mãe, Maria Emília dos Santos Mendonça Monteiro, nasceu em 29 de Fevereiro de 1920, na Sequeira, freguesia da Sé da Guarda. Ficou órfã de mãe, Adelaide dos Santos, aos 9 anos. Foi para Angola em 1937 com 17 anos de idade.   A sua ida para Camacupa foi pelo facto de meu avô José da Fonseca Mendonça,  que já vivera na América,  desejar ir para Angola e pediu então ao primo Alberto que lhes enviasse uma “carta de chamada”. Viajaram no barco “João Belo” em 1937, meu avô, minha avó Angelina Mendonça e os filhos – Maria Emília, Mário, Adelaide, David e Laurentina. Meus avós estiveram pouco tempo em Camacupa, indo viver para Monte Belo e mais tarde para o Lobito. Meus pais casaram e tiveram 4 filhos: José Francisco, Maria Aldora, Maria do Céu e Rui, nascidos respectivamente em 1939, 1941, 1942 e 1944. Meu pai já tinha duas filhas: a Berta  que nasceu em 1928 e a Beatriz em 1935.

Minha mãe era muito religiosa e caridosa. Quando a imagem de Nossa Senhora de Fátima foi em peregrinação a Camacupa, salvo erro em 1948, vestiu-me de anjo e ofereceu um lindo estandarte. Em várias cerimónias fui vestida de anjo e de Santa Filomena.

Tivemos uma infância e mocidade felizes numa terra onde todos se conheciam.

Recordo com muita saudade e carinho, os sacerdotes de quem recebi bons
ensinamentos cristãos, desde a mais tenra idade até 1960, o Rev. Padre Guilherme Carlos Ribeiro, Rev. Padre Álvaro Soares da Silva, Rev. Padre Marques.

Em 1961 já era sacerdote em Camacupa o saudoso  Rev. Padre Dr. Armando Amaral dos Santos que baptizou os meus filhos, Carlos Alberto, Genáro Jorge, Dália Maria e Paulo José. O meu filho Celso Alexandre foi baptizado em 1975, pelo Rev. Padre Álvaro de Macedo Afonso.

Lembro com muita saudade… os meus primos que foram para Angola em 1946, Alexandre da Fonseca Matias, Encarregado das máquinas de uma  Fábrica de descasque de arroz, sua esposa, Maria do Céu Fonseca. Moravam duas ruas distantes de nós, os filhos, Lúcio que casou com Maria do Rosário Fortes, o  filho Luizinho,  viviam em Nova Lisboa e Maria Teresa que casou com Artur Alexandre, a Leninha sua filha,   viviam no Lobito. Os meus vizinhos, Sr. Afonso Gomes Pinho, mecânico, proprietário de uma oficina de automóveis, esposa D. Ermelinda, seus filhos: Eulália, Quim, Juvenal, Dina e Afonso. Sr. António Pereira, comerciante, esposa D. Purificação, seus filhos:  Olinda, Toninho e Nelito;  Sr.  José  Alves  Pinto, comerciante,   esposa   D. Juventina,  seus  filhos:  Maria dos Anjos, Duarte,  Irene  e  António; Sr. Teixeira, comerciante e esposa D. Zulmira seus filhos: Francisco, Maria da Luz, Fernanda, António, Natália e Zezito; o Sr. Secundino Moreira funcionário da Câmara Municipal e esposa D. Arminda, seus filhos: Avantino, Maria do Céu e Glorita; Sr. António Paulo, proprietário de uma Barbearia, seu pai Sr. Paulo, irmãos, José, Joaquim, Lucinda e a esposa D. Amélia, seus filhos Maria de Lurdes, Eliana e Toninho; Sr. Cruz, proprietário de uma oficina de bicicletas, esposa D. Benilde e seus filhos Orlando, António e Preciosa:  Sr. António Martins, Guarda-Livros da Firma Martins & Gonçalves, sua esposa Raquel Figueiredo e filhos: Maria do Rosário, Zica e Zé: O Sr. Henrique Novais, Enfermeiro, esposa D. Isaura, filhos: Odete, Ângelo, Filó, Palmira, Tininha, Quito e Graciete. Constantino Gonçalves, comerciante e esposa Lucília, os filhos: Nelson, Leno, Osvaldo e Jéjé.

Camacupa era uma cidade bem delineada e sempre em festa:

 

“Com as largas avenidas cheias de acácias floridas parece um jardim que fala de amor…”  “Jardim tens engraçadinho no meio do coração, o povo dá-te carinhos …”

 

As festas religiosas eram lindas… a procissão dedicada a Nossa Senhora de Fátima na noite de 12 de Maio – a procissão no dia do Corpo de Deus – a procissão do dia 15 de Agosto, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Camacupa, com andores lindamente enfeitados, percorrendo as ruas engalanadas com colchas às janelas.

A minha irmã Berta casou-se com António Rabaçal, filho do Sr. Rabaçal, sócio da firma Rabaçal & Bolota, tiveram quatro filhos: o António Alberto, Maria Amélia, Maria Augusta e o Aires.

A minha irmã Beatriz casou-se com Manuel Lourenço Machado, foram viver para Teixeira de Sousa e tiveram duas filhas: Maria de Fátima e Maria Teresa.

Eu e a minha irmã Aldora casámos no mesmo dia, em 1960, com rapazes de outras terras: eu, com José Carlos Pereira, natural do Chinguar que foi para Camacupa trabalhar no Instituto dos Cereais. Era jogador do Delta. Tivemos 5 filhos: o Carlos Alberto, o Genáro Jorge, a Dália Maria, o Paulo José e o Celso Alexandre. A minha irmã casou-se com José Roque Júnior, natural da Vila Nova, era funcionário do C. F. B. e também jogava futebol, mas no Desportivo. Tiveram dois filhos, a Gisela Marina e o Gustavo Jorge.

O meu irmão Zeca trabalhou na Administração do Concelho de Camacupa, depois foi para a Ganda onde trabalhava como Guarda-Livros numa firma e aí casou com  Arminda  Silva e têm quatro filhas: Maria Emília, Maria do Céu, Sandra e Sónia.

O meu irmão Rui casou-se com Maria do Carmo, natural de Alfândega da Fé, Bragança, irmã do Sr. Padre Álvaro de Macedo Afonso e têm três filhos: a Anabela que nasceu em Camacupa a Marisa e o Rui que nasceram em Bragança e no Porto.     

Sempre gostei de falar da minha terra, às minhas colegas e a outras pessoas enaltecendo-a. Chego a cantarolar:

 

«Tu és Camacupa terra do progresso

E por certo a mais bonita

Terra do arroz, rainha do amor,

Desta Angola infinita…”  

 

Falo das lindas festas dos dois Clubes, qual delas a mais bonita… Tive a grande satisfação de conhecer pessoas que iam tratar de assuntos à Zona Agrária de Santarém onde eu trabalhava, que são de Angola e conheceram Camacupa e confirmaram o que eu contava e ainda acrescentavam: terra rica e de festas…que belas festas e meninas bonitas… 

 


    
Alberto Francisco Monteiro Fernando Guilherme Cardoso Gonçalves Isaura e Henrique de Paiva João Maria Fernandes João Mendes Baptista José Martins (Cameia) Júlia e Júlio Ribeiro Lídia e Fernando Barbêdo Manuel Coelho dos Santos Manuel José Côrtes Maria Adelaide e Ângelo Coelho Marinela Amaro e Zé Leitão Norberto Santos Marques Secundino Soares Moreira Tiago Costa Velhinha e Berto Campos José Désirat Francisco Costa Henrique Novais As Outras Famílias
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