Biografia da FAMÍLIA HENRIQUE CORREIA DE NOVAIS
Henrique Correia de Novais “Pessoa” nasceu em Camacupa a 9 de Janeiro de 1928. Seu pai Nicolau Aurélio de Novais Pessoa nasceu em Treixedo, distrito de Santa Comba Dão em 1894, mas rumou para o Brasil e depois para Angola, só com 20 anos de idade, em busca de uma vida melhor e foi para Camacupa. Estabeleceu-se numa pequena povoação o Camarinho, que ficava próximo do Cuanza, onde provavelmente encontrou Palmira Correia de Novais que nasceu em 1904 e um dia cruzou com os olhos do Nicolau. Os corações bateram mais forte e em uníssono e casaram.
Ambos tinham uma casa comercial onde comerciavam tudo mas de uma forma especial os artigos mais apetecidos da população indígena. Tinham ainda muito gado que a Palmira gostava muito de tratar e a manada foi prosperando.
Do casamento nasceram:
Adelaide Correia de Novais (falecida), Henrique Correia de Novais, António Aurélio Correia de Novais (falecido), Gastão de Novais e Maria Fernanda Novais.
O Henrique, bem como todos os outros, foi criado no Camarinho a tal pequena povoação a caminho do Cuanza. Cresceu num ambiente saudável, dada a ruralidade do lugar na companhia dos pais e depois dos irmãos, mas também de quem frequentava a loja deles e ainda correndo atrás da mãe para ver os vitelos e os bacorinhos que gostava muito de observar.
Entretanto, chega a altura de coisas mais importantes e sérias: têm de ir para a escola em Camacupa, onde teve como mestres os professores Beirão e esposa Maria Dolores. Terminada a instrução primária vai para mais longe, Silva Porto, onde frequentou o colégio e fez o primeiro ciclo dos liceus. O segundo ciclo é feito mais tarde no Colégio Infante D. Henrique em Camacupa com os Padres Armando e Guilhermino.
Em 29 de Abril de 1944 o pai Nicolau faleceu e ele toma conta do estabelecimento comercial, tendo aberto mais duas lojas uma no Camarinho e outra na Chiuca. Quando ia para a Chiuca tinha que passam pela Chissamba, que era uma missão Evangélica com um grande hospital, liderada por um fantástico médico e também pastor, o doutor Stranguay. Era um homem bom e de grande saber que deixou o seu país, o Canadá, para dedicar a sua vida a ajudar toda a gente daquela região. A sua fama era tão grande que vinha gente de toda a Angola consultar o insigne médico.
Foi numa dessas p0assagens obrigatórias pela Chissamba que o bichinho da enfermagem foi tomando conta dele, a ponto de iniciar a aprendizagem como enfermeiro com o dr. Stranguay. Mais tarde, cada vez mais enfronhado e agradado com os conhecimentos adquiridos, segue para Silva Porto, onde tira o curso de enfermagem na Escola Oficial de Enfermagem do Bié. É aqui que começa verdadeiramente o seu “sacerdócio”, isto é a sua vida profissional.
Em 1950 é nomeado encarregado do Posto Sanitário de Silva Porto Gare. Acontece porém, que encontrou por aquelas paragens, a mulher da sua vida, Isaura Vieira da Fonseca Santos Novais, que nasceu a 9 de Julho de 1930 em Silva Porto Gare e com quem vem a casar a 13 de Maio de 1950 na Vila do Vouga. A Isaura era filha de Alfredo Rodrigues da Fonseca Santos e de Albertina parente Vieira, ele de Benguela e ela de Sacanjimba.
Em 1952 é colocado na Delegacia de Saúde de Benguela, a cidade da Praia Morena, mas no ano imediato vai prestar serviços num posto sanitário de 2.ª classe, que fazi8a fronteira com o Congo Belga e que chamava Tchamuteba, pertencente ao concelho do Quela, distrito de Malanje. Por ali se mantém cerca de 10 anos até que é colocado na Delegacia de Saúde de Camacupa (com hospital) onde permanece também cerca de 10 anos. Aqui fez corpo hospitalar com grandes colegas e com grandes médicos como por exemplo os enfermeiros Homem, José de Macedo Augusto, Lereno Nóbrega e António de Jesus Martins entre outros e com os médicos Fernando Miravent Tavares e Almeida, António José Diogo e José António Fernandes.
Em 1973 transita para o Quadro de Saúde Pública e é colocado em Silva Porto como orientador de assistência rural, onde se manteve cerca de cinco anos, passando depois, nas funções de Supervisor Distrital dos Agentes Sanitários de Assistência Rural dos distritos da Huila e do Huambo.
Nestas andanças viveu belíssimas e estranhíssimas histórias, que serviram para cimentar cada vez mais o seu carácter, impregnando-o de grande saber e rigor científico, mas também de bondade e carinho por quantos a si recorriam para debelar algum mal ou recolher algum conhecimento. Todas essas histórias lhe servirão mais tarde para consubstanciar uma nova vida.
Acontece que é necessário fazer um interregno na sua caminhada como Supervisor Sanitário de Assistência Rural e vai prestar serviço nos hospitais de Quiculungo, Salazar e Camabatela. Findo este destacamento hospitalar regressa à supervisão que termina em Nova Lisboa na Escola Técnica de Enfermagem, onde leccionou os cursos de Agente de assistência Rural, secretariando-os durante três anos.
Neste meio-termo já tinham nascido todos os seus filhos: a Odeth Correia de Novais nascida em 1947 e o Ângelo Manuel Correia de Novais nascido em 1950, são fruto de uma primeira relação com uma senhora já falecida; a Filomena Maria Fonseca Santos Novais nascida em 1952, a Palmira da Fonseca Santos Novais nascida em 1953, a Albertina da Fonseca Santos Novais nascida em 1956, o Henrique Alfredo da Fonseca Santos Novais nascido em 1959, a Graciete da Fonseca Santos Novais nascida em 1963 e por último a Lígia Maria da Fonseca Santos Novais nascida em 1964.
Inexoravelmente a história contemporânea diz-nos que Portugal concedeu a independência a todas as suas colónias, tendo a vergonhosa descolonização atirado com a família Novais para este País, que não tem a culpa dos maus governantes que sempre tem tido.
Em Portugal procurou instruir-se cada vez mais e fez o seu Bacharelato na Escola de Enfermagem do Sindicato de Lisboa com valorosa classificação. Prestou ainda relevantes serviços nos hospitais de Elvas a partir de 1976 e de Alhos Vedros a partir de 1979, atingindo a sua reforma e consecutiva aposentação em 9 de Agosto de 1979.
Mas o seu espírito de abnegação não termina desta forma. Com uma vontade firme de sempre fazer o bem parte no Navio Hospital Gil Eanes e anda embarcado durante mais 10 anos, como responsável pelos serviços de saúde do navio, tendo aportado nas Canárias, na Noruega, no Canadá, entre outros países.
Como já foi referido a sua vida foi recheada de grandes histórias, de inúmeras peripécias e não menos momentos insólitos. Tudo isto fermentou no seu espírito durante muitos anos e aguçou a sua veia de escritor que nasce tal qual a fonte que brota pura e cristalina do meio da rocha poderosa e inquebrantável. Henrique Novais retrata nos seus livros os mais diversos temas como passagens do quotidiano numa África dos anos 30, onde a vida foi dura e cruel, mas ao mesmo tempo passando pelas cenas pitorescas, pela feroz sátira, pelo misticismo e pela espiritualidade, que surgem com as cores quentes de Angola.
Nos livros JACARÉ NO BOTE, SEGURA BEM PARA O BRANCO NÃO CAIR, AXIXE e HISTÓRIAS INFANTIS retrata o ambiente do “mato” da noite africana com os seus medos simples e alegres. A lua cheia alcança-nos normalmente quando acontece o stress de publicar os primeiros livros; no COMBOIO CAMAKOVI encerra movimento e emoção, enredo e movimentos de leitura simples, subtil, sátira, carnaval e nostalgia; no livro DA MINHA INFÂNCIA desenvolve cenas pitorescas, viajando no tempo que marcou a juventude dessa época, na África dos anos 40. Recorda o peso da tradição no passar dos anos. A roda que nestas andanças vai possibilitando uma melhor escrita com narrativas humorísticas, mas ao mesmo tempo atormentadas.
Henrique Novais é sócio da Sociedade Portuguesa de Autores com o n.º 108466, há mais de 16 anos.