Sete dedicaram-se à agricultura e apenas o João Mendes Baptista foi estudar, devido ao seu defeito físico.
Um comerciante, de sua aldeia e amigo da família, teve conhecimento de um curso que iria ser ministrado no Instituto de Missões Coloniais de Sernache de Bonjardim (Distrito de Castelo Branco).
Falou com o seu pai e convenceu-o a pôr o filho, que era coxo, a estudar. Teria que se deslocar para aquela localidade, visto residir na terra na terra da naturalidade que era Salgueiro de Campo – Castelo Branco.
Com grande sacrifício de seus pais, pois acarretaria muitas despesas, lá foi estudar durante sete anos. Teve que fazer o 5º ano dos Liceus e mais dois que lhe dariam a equivalência ao curso de Magistério Primário. Só com esse curso poderia ir para as Colónias e aí leccionar.
Uma vez que havia bastantes inscrições para o referido curso serviu-se de um seu primo que era pároco em Tinalhas.
Reconhecendo as dificuldades dos seus pais para o manter no Instituto, foi um bom aluno tirando sempre notas altas.
Tudo isto se passou em 1914. Em 1923 já com o curso tirado foi nomeado professor a prestar serviço em Angola.
Embarcaram (ele e mais uns tantos colegas) em Lisboa a nove de Maio de 1923 no paquete “Guiné” fazendo escala em Bissau, Bolama, e S. Tomé e finalmente Luanda.
Em Luanda foram recebidos na Repartição Superior dos Negócios Indígenas pelo Alto-comissário General Norton de Matos.
Após uma breve estadia na capital angolana, foi colocado na Damba, distrito do Congo, onde em colaboração com um padre e outros tantos homens para lá destinados fundaram a Missão Duarte Pacheco, local isolado sem as mínimas condições de habitabilidade. Começaram por construir cubatas e, posteriormente, casas cobertas a capim. As paredes eram de adobe. Nessa localidade conhecem as BITACAIAS!!!!!
Ali esteve cerca de dois anos e em 1925 foi colocado em Sanza Pombo usando como transporte uma tipóia.
Em 1929, com direito a licença graciosa, veio a Portugal em gozo de férias. Através de um seu cunhado veio a conhecer aquela que foi a sua fiel companheira por toda a sua vida. Casou em 1930 com Delfina Amorim da Costa e Silva, nascida a nove de Setembro de 1900. Seu pai era professor em Lisboa e seus irmãos (5) foram funcionários públicos.
De regresso a Angola, já casados, ficaram colocados por pouco tempo em Luanda, uma vez que a sua esposa foi colocada interinamente.
Posteriormente foram para Malange onde exerceram os dois o professorado. Aí nasceu-lhes a primeira filha a quem foi posto o nome próprio de Maria Ruth.
Concorreram para a Gabela, onde nasceu a segunda filha, Maria Celeste, e, três anos depois foram colocados no Ambriz, onde nasceu a última filha Maria Teresa, a qual, anos mais tarde, foi professora em Camacupa (1963/64).
Em 1942 gozaram uma licença graciosa, tendo regressado a Angola em 1943.
Em Abril de 1943 pisaram pela primeira vez terras de Camacupa para onde foram colocados, tendo aí desempenhado as funções de professores durante 17 anos.
Habitaram a residência anexa à escola junto ao Campo de Futebol.
A determinada altura construíram uma casa à entrada de Camacupa, no sentido de Catabola., a qual venderam em 1957, na altura em que pensaram regressar a Portugal definitivamente.
Como a Escola já se tornava pequena foi construída outra junto à administração do Concelho.
Foram excelentes professores (para a época). Ríspidos na Escola não faltando a régua normal, o caniço e ainda a palmatória “menina dos cinco olhos”. Na época o Regulamento permitia os castigos físicos.
Entre os anos de 1933 a 1944, o professor propôs 292 alunos ao exame da 4ª classe, tendo apenas 5 reprovações o que equivale a uma média de 98%.
Em Camacupa foram pessoas sempre respeitadas e acarinhadas pela população como é do conhecimento geral.
A determinada altura, foi criada a vaga para mais um professor, pois a quantidade de jovens em idade escolar havia aumentado. Assim foi nomeado para esse lugar o professor José Vito Rebelo.
Após 17 anos de trabalho em Camacupa, os professores Baptista resolveram aposentar-se e regressaram a Portugal, ficando a residir em Castelo Branco.
Como as filhas e os netos residiam em Lisboa, resolveram vender a casa de Castelo Branco e compraram uma nos arredores de Lisboa.
Assim compraram uma casa no Algueirão - Sintra, tendo aí permanecido até aos últimos dias das suas vidas.
Repousam em Amorim a pedido de ambos.