JOSÉ AUGUSTO CAMPOS DÉSIRAT filho de Alberto Désirat e de Clarisse Désirat, nasceu em Albergaria-a-Velha a 11 de Abril de 1922. Seu pai era marceneiro e com 32 anos de idade foi para Angola, mais propriamente para Camacupa, por carta de chamada de Eduardo de Carvalho e sua esposa Adelina, tios de José Désirat e já residentes em Camacupa, como era necessário naquele tempo.
A família de Alberto Désirat só foi para Camacupa em 1927. Portanto, José Désirat pisou solo de Camacupa em 10 de Dezembro de 1927, com cinco anos e meio de idade.
Não se recorda de obras feitas por seu pai, mas lembra-se bem das letras que estavam no pedestal da estátua do “General Machado” e que diziam “Homenagem ao General Machado”. Nessa altura Camacupa era uma aldeia com muito poucas casas.
Algum tempo depois foi para a escola. O seu primeiro professor chamava-se Freire e em seguida teve uma professora, D. Edviges de Melo e Santos. Após dois anos em que não houve professores foram colocados na Escola de Camacupa os professores Beirão e esposa Maria Dolores que ali permaneceram bastantes anos.
José Désirat teve três irmãos: Fausto, Manuel e Maria Elvira. O irmão Manuel saiu da escola com 16 anos. Recorda alguns alunos dessa época, seus colegas, como por exemplo a Raquel e a Leonor Figueiredo. Depois houve uma outra geração que saiu em 1934/35 como a Mercedes Campos, Armando Correia e outros; Em 1936 saiu o José Désirat, os Barbêdos, a Isaura Quental, a Olívia Brito, o Luís de Sousa e o José de Sousa.
Depois de sair da escola começou a trabalhar no comércio com um patrão chamado Guimarães, no local onde mais tarde estava a loja do senhor Júlio Mendes. Também trabalhou em artesanato para se ir governando. Em 1937 tentou entrar para o C.F.B. (Caminho de Ferro de Benguela). Mandaram-no ir ao Lobito fazer uns exames, mas como era muito novo teve de fica à espera de atingir a idade requerida.
Esteve a trabalhar com o senhor Vieira Mendes numa casa comercial que se situava no local onde depois ficou a firma A. Luís Costa & C.ª. Ele trabalhava com uma firma do Chinguar que obrigava o senhor Vieira Mendes a deslocar-se todos os fins de semana ao Chinguar e o senhor Désirat ficava a tomar conta dos negócios em Camacupa, pois esta firma tinha diversas sucursais nas redondezas, os chamados “aviados”.
Em 1938 foi para o Cutato, como empregado de uma casa comercial, onde esteve apenas dois meses e pouco.
Em 1939 apareceu-lhe uma colocação no Cuemba. Nessa altura o C.F.B. chamou-o para entrada imediata, mas o ordenado era pequeno (312 angolares mensais) e teria de ir para o Lobito frequentar uma escola. Decidiu optar pelo Cuemba. Em 1940/41/42 esteve no Cuemba numa casa comercial de Santos Cunha & C.ª, cujo dono era Manuel Cunha da Chindumba, pai do Fernando e da Manuela Cunha.
Em 31 de Dezembro de 1942 regressou a Camacupa, para ir para o Bingondo, perto da fazenda do Bianchi, trabalhar com José Manuel e Filho (Maneco). Aqui esteve três anos e meio e nesta altura casou com D. Isabelinha em 15 de Setembro de 1945.
No Bingondo, após o casamento, ficaram pouco tempo porque ela engravidou e vieram para Camacupa.
Aqui foi trabalhar para uma casa comercial, em sociedade com o sogro, António Sousa Capelo, onde era a loja do senhor Quental; não se entenderam e separaram-se, tendo o senhor Capelo ido fazer a loja que mais tarde pertenceu ao senhor Jerónimo e José Désirat construiu a casa por detrás da igreja velha onde teve o comércio e muito mais tarde a primeira peixaria de Camacupa. Nesta casa, nasceu o Zezinho, José Fausto Capelo Désirat, em 19 de Abril de 1950, o filho mais novo, já que a Mrilú, Maria Ludovina Capelo Désirat, a mais velha, nasceu em 30 de Junho de 1946 na casa de gaveto em frente ao antigo “estádio dos Caniços”.
Como o comércio, ali, não resultasse, a família foi para o Manhato, uma povoação muito pequenina nos arredores de Camacupa, onde estiveram de 1952 a 1956. Foi então que construiu a sua última residência em Camacupa onde também tinha uma loja comercial e onde construiu e abriu a outra peixaria.
Em 1969 cessou a actividade comercial e ficou apenas com as duas peixarias e a fazenda agrícola que possuía nos arredores de Camacupa, o Imbande, até vir para Portugal em 1975.
A fazenda Imbande, que foi do tio e do irmão, veio parar às suas mãos por volta de 1958. Nela trabalharam sempre vários empregados. Tinha muita fruta, que exportava e ia levar duas vezes por semana a Nova Lisboa.
Como facto importante da sua vida social em Camacupa conta o que aconteceu com a Direcção da Associação Beneficente e Recreativa de Camacupa: ele era um ferrenho adepto deste clube e um dia foi desconsiderado, o que originou juntar-se com outras pessoas (Silva Pereira e Maneco) e fundou um novo clube, o Delta Clube de Camacupa, que começou a existir no dia 21 de Maio de 1950. Viveu e pugnou bastante por este clube.
Como já atrás foi dito José Désirat casou com D. Isabelinha, em 15 de Setembro de 1945. Quem era e quem é esta Senhora?
D. Isabelinha, Isabel Gregório Capelo é filha de António de Sousa Capelo e de Ludovina Gregório; nasceu no Soito, distrito da Guarda, a 28 de Dezembro de 1923.
Em 1924, teria D. Isabelinha três meses de idade, o pai foi para Angola, para Vila Luso. Ia mandando alguma ajuda para a mulher e para a filha e esta foi estudando até fazer a quarta classe já com alguma idade. Como a mãe pensava que não estaria bem preparada para fazer o exame de admissão ao liceu pô-la num colégio de freiras na Guarda, onde esteve como aluna externa e no ano seguinte foi para o liceu. Entretanto as coisas não corriam bem ao pai e ele deixou de mandar dinheiro e por infelicidade a mãe faleceu. Mesmo assim fez o terceiro ano do Liceu. Depois veio para Lisboa, para casa do irmão mais velho, José Manuel e por vezes também passava algum tempo em casa do outro irmão, José Augusto dos quais gostava muito. Recorda-os com saudade e conta até um episódio carinhoso: quando apareceram as permanentes para o cabelo, eles logo quiseram que a sua irmãzita fizesse uma.
Certo dia apareceu em casa de seu irmão José Manuel um senhor vindo de Angola, de Vila Luso, chamado Oliveirinha e que era director da escola oficina desta cidade, onde o pai de D. Isabelinha era chefe de uma secção. Este senhor disse-lhe que o pai gostaria que ela fosse para Vila Luso, tinha ela então 17 anos, em Maio/Junho de 1941. Como o pai não tivesse posses para que Isabelinha pudesse continuar a estudar, deu aulas na escola primária; trabalhou em Vila Luso, a pedido do Governador, a cujo palácio foi chamada e onde compareceu acompanhada pela directora da escola, que era muito sua amiga. Trabalhou muito e com prazer e ganhava 750 angolares.
Como tinha uma prima em Camacupa a D. Isabel “Capitão” (esposa de um cidadão italiano comerciante e faz tudo, instalado há muitos anos em Camacupa, muito considerado por ter atingido o posto de Capitão na última guerra e tinha uma filha, Maria da Luz), foi lá visitá-la e passar com ela umas férias e foi nessa altura que conheceu José Désirat, por quem se apaixonou e com quem veio a casar.
Como tinha saudades da escola deu explicações durante muito tempo e foi sempre o braço direito de seu marido nos negócios do comércio e das peixarias.
Como atrás já foi referenciado tiveram dois filhos mas entretanto também criaram a Manuela Désirat, sobrinha de José Désirat, filha do irmão Manuel. Esta sobrinha apareceu quando pequenita, entregue pelo pai à avó, sogra de Isabelinha. Era mais velha um ano do que a Marilú. A certa altura a Manuela, que andava sempre com a Marilú, começou a querer ficar muitas vezes em sua casa e acabou por ser criada pelo casal.
Em 1975, por ocasião da descolonização vieram para Portugal e aqui vivem agora, rodeados dos seus filhos e agora já dos netos e bisnetos, que são:
Maria Ludovina Capelo Désirat Machado nasceu a 30.6.46 em Camacupa, Prof Primária, casada com
Bernardino Parreira Machado nasceu a 31.10.39 em vale de Vargo-Serpa, Formação Bacharelato
Residentes em Tires
Filhas, Genros e Netos:
F: Paula Isabel Désirat Machado nasceu a 9.6.1970 em Camacupa, licenciada em Direito (jurista nos serviços de Turismo de Macau), casada com
G: Raul do Carmo Azevedo----nasceu a 26.5.1970 no Porto, licenciado em Engenharia Electrotécnica (com empresa própria).
Residentes em Macau.
São pais de:
Francisco Machado do Carmo Azevedo -nasceu a 2.7.2007 em Macau.
F: Célia Idalinda Désirat Machado Matias - nasceu em 12.10.73 em Camacupa, licenciada em Ciências de Educação (com empresa própria), casada com
G: Pedro Nuno Margarido Matias - nasceu em 7.5.71 em Pombal, licenciado em engenharia Informática (leciona numa Escola Secundária)
Residentes em Sassoeiros - Oeiras
São pais de:
Leonor Machado Matias -nasceu a 6.6.2002 em Lisboa
Catarina Machado Matias -nasceu a 1.12.2005 em Cascais.
e
José Fausto Capelo Désirat nasceu em 19.4.1950 em Camacupa, casado com
Juvelina Maria de Almeida Silveira Désirat, nasceu em 16.12.1952
Filhos, Noras e Netos:
F: Miguel Alexandre Silveira Désirat, nasceu a 3.10.1974, Curso de Electrónica, casado com
N: Patrícia Almeida Florêncio Salvaterra Désirat, nasceu em 10.5.1973, Professora Primária
São pais de Mafalda Salvaterra Désirat nasceu a 17.10.2002
F: Paulo Jorge Silveira Désirat, nasceu a 10.7.1977, Curso de Contabilidade, casado com
N: Ana Sofia Damião Guimarães Paixão Désirat, nasceu a 30.10.1975, Curso do ICSL Ibéria
São pais de:
Gonçalo Paixão Désirat, nasceu a 9.1.2008
F: Jorge Alexandre Silveira Désirat, nasceu a 18.11.1987, solteiro.
É um casal alegre e bem disposto, cheio de recordações e belas memórias dos tempos vividos naquela terra que testemunhou a sua juventude e que jamais poderão esquecer!