Biografia da Família Tiago Costa - Por Rosa Maria “Nené”
Entre 1890 e 1900, chegou a África, Angola, vindo do norte de Portugal, mais precisamente da Beira Alta, meu tio, José Lucas da Costa, um pioneiro nas terras do Bié, vindo a estabelecer-se como comerciante, na localidade de Chindumba, para os lados do Quanza. Nessa época, o Caminho de Ferro de Benguela teria menos de um terço de sua extensão total. Esses pioneiros deslocavam-se a pé ou de tipóia, transporte rudimentar da época.
Quando o tio Lucas foi informado, anos mais tarde, de que o caminho de ferro passaria pela localidade de “Catanganha”, um sobado que mais tarde se chamaria CAMACUPA, mudou-se para lá onde se estabeleceu em lugar estratégico, mesmo em frente onde seria construída a estação do CFB. José Lucas da Costa era um comerciante muito conceituado e como tal, foi o fundador da cidade de Camacupa, cerca de 1920. Camacupa foi Posto Civil e passou a Concelho em 27.02.37. O caminho de ferro chegou entre 1925 a 1930.
Mais tarde, entre 1916 e 1917, minha avó, Rosa Marques da Costa, chegou a Angola, indo encontrar-se com o irmão que na época ainda se encontrava na Chindumba. Como o caminho de ferro chegava somente ao Chinguar, o trajecto até ao destino foi feito de tipóia, tendo o meu pai poucos anos de idade (nasceu em 01.05.14). Mais tarde, minha avó e o irmão Lucas, mandaram ir os sobrinhos, António de Almeida Marques, conhecido por “Marite” e José de Almeida Marques (Camacapa). Meu tio Lucas foi sócio do Sr. Correia na fábrica de descasque de arroz que funcionava junto às casas de minha Avó. Teve morte trágica a 15 de Agosto de 1928, quando lançava bombas durante os festejos da cidade. O funeral foi acompanhado pela Banda de Música do Cassequel que se encontrava na localidade para abrilhantar as festas que, com este acontecimento, foram encerradas com muita tristeza.
Minha avó manteve-se em Camacupa, sendo a primeira mulher branca da terra de onde saiu definitivamente em 1975, como a maioria das pessoas que abandonaram Angola pela força das circunstâncias. Voltou para a sua aldeia natal, Mesquitela da Serra, mais o meu pai, Tiago Marques da Costa, que faleceu em 1981 vítima de doença grave, acredito que causada pelo imenso desgosto de ter que abandonar aquela terra que considerava sua. Minha avó morreu bem velhinha com cerca de 100 anos e muito desgostosa também. Teria nascido entre 1885 a 1890. Era uma pessoa culta para a época e, segundo ela, aprendeu a ler e escrever com o pai, na época o único homem na aldeia alfabetizado.