3 - O nosso comum amigo Francisco dos Reis Correia, com quem estive aqui em Portugal um ano depois da nossa chegada, escreveu-me do Brasil (mais um que por lá labuta) com muitas saudades da nossa Terra e até vai dizendo que muita gente tem voltado em busca de dias melhores. Mas melhor do que eu estar para aqui a debitar palavras vou transcrever-vos o seu email.
Meu amigo Avantino, muitas felicidades.
Eu estou razoável, saúde regular o resto vai-se vivendo.
Há dias o meu filho Adelino me deu uma foto da despedida do nosso amigo chefe da Policia, onde eu estou, o teu Pai e vários amigos também. Camacupa.com que tenho acessado com frequência e recordado muita coisa dos velhos tempos.
Eu estou aqui no Brasil moro em Camaçari (polo Petroquímico) que tem muitas indústrias, é um lugar bom perto de Salvador com praias maravilhosas, e tudo o que é bom.
Trabalho no comércio de materiais de construção.
Vivo só, por que a família se desagregou e não há um entendimento.
Já tem tempo que fui a Portugal, talvez vá ai para o ano que vem lá para Maio.
Saudades da nossa terra, o trabalho, as festas a alegria de viver. Tantas saudades, muita gente daqui está indo para lá trabalhar até penso em voltar mas a minha idade não aconselha. São quase setenta e dois anos não são trinta, por isso vou ficando por aqui. Me aposentei
há pouco tempo, é pouco mas aqui dá para viver mais uns dias.
Sabes do Amândio José de Freitas que era meu guarda-livros.
Silveirinha Serrano fala das peixarias do Désirat, mas nada se refere á minha como se não tivesse existido, se alguém tem uma foto.
Um grande abraço e para todos os que te são queridos.
Um abraço
Correia
2 - A vida não é tão madrasta como se possa crer e por vezes reserva-nos alegrias e surpresas com as quais não contávamos.
Estou a fazer, em colaboração com o António Serrano, um trabalho imensamente bonito e qualificado sobre os animais selvagens (Mamíferos e Aves) de Angola, especialmente os existentes até 1974. É um trabalho moroso, de muito estudo e pormenor, que vai fazer muito felizes todos aqueles que se interessam por estas coisas da vida selvagem. Deixei esse trabalho ontem à noite (6.10.2008), fui consultar o meu email e encontrei apenas três mensagens importantes do António sobre o perfil de alguns animais. Fechei o computador e fui ver o desafio Leixões/Benfica.
Hoje de manhã levantei-me, fui comprar o pãozinho, ainda quentinho, para tomar o pequeno almoço (matabicho) e depois de o fazer instalei-me no computador e, como sempre, a primeira coisa que fiz, foi consultar o email e encontrei aquilo que me deu uma felicidade enorme, como já não tinha há algum tempo, no que diz respeito às coisas de Camacupa: aqui tendes a minha alegria:
Olá, conterrâneo Avantino Moreira!
Com os meus melhores cumprimentos a todos os Camacupenses bem como ao Fernando Costa que cita meu nome em sua resenha, e todos os outros pela sua grande colaboração. É com grande satisfação e alegria que saúdo o "site" Camacupa.com", (descoberto recentemente pelo meu filho em suas pesquisas pela Internet) e com tristeza vejo a realidade da guerra, cidade outrora próspera e com futuro risonho, hoje, fantasma, sem água e sem luz. E com a barragem do rio Cunje tão perto!
Relembrei pessoas, lugares e costumes. O rio Júlio que já não vinha à minha mente. Eu, minha filha e filho nascemos em Camacupa e lá fomos baptizados; nasci em casa de meu avô que ficava na cabeceira do rio Imbande, casa que há muitos anos deixou de existir. Ele era agricultor, plantava trigo, e também foi barbeiro e hortelão, fornecia morangos e hortaliças para a população, e, posteriormente, se estabeleceu com comércio no Bairro da Catabola.
Solicito corrigir seu nome de José Maria de Freitas para António Maria de Freitas – em Bairros Catabola. Meu pai António José, comerciante na Muinha, povoação desprovida de condições e para que eu frequentasse a escola hospedou-me em casa de Dª Rosa Marques, mãe do Sr. Tiago e avó de Rosa Maria C. Marques (NENÉ) que se expressa no site. Também ai ficou hospedada, pelo mesmo motivo e fim, Lurdes Martins, filha de José Martins, comerciante em Muinha e Lurdes Carvalho, nos anos seguintes vieram minhas irmãs Manuela e Helena, esta já falecida, e Emília Carvalho, irmã de Lurdes filhas do Sr. Carvalho comerciante na Gamba, Carlos e sua irmã vindos do Cuemba, de família holandesa.
A escola do tempo do professor João Baptista, Rebelo, professora Delfina e por alguns meses deu aulas o Sr. Amílcar Gaspar que era o tesoureiro da Câmara. Fui colega de carteira de Aldina Gerardo e de classe de Abraão (morador no Manhato), Manuel Pintor, Florival Seixas (Loló), Eduardo Carvalho, Eulália, Júlia Pinho, Aldora, Céu e Zeca Monteiro, Fernando Costa, Caetana Pinto, Rosa Maria (Nené), Fernando Machado (Nando) Orlando Cruz (Moreno), Alzira Fernandes, Alice Duarte e Alice casou com Ladislau Monteiro (Lau). Recordo Artur N. Duarte (Bebé) José Almeida (Jéjé), César Mateus, Fernando Seixas, António Diogo, Raul Sousa, Duarte, Sá e António Serrano que íamos ao Grémio do Milho espantar o chilreado das andorinhas; ele trouxe um petisco preparado por sua mãe: Pombo Verde e Perdiz assada, caçada por seu pai.
Fui eleito Vereador da Câmara Municipal, com Luís Marques, António Farinha, Jerónimo e António Gerardo. Para suceder a Fernando Machado fui eleito pelos associados Presidente da Associação Beneficente e Recreativa de General Machado, de Janeiro a Agosto de 1975, com António Farinha, Amândio Meneses, Zito e outros.
Eu e minha família morávamos do lado da igreja num prédio de 1º andar pertencente ao Manuel comerciante no Cambango, eram vizinhos Alcindo e esposa D.ª Carminda e seu filho. No 1º andar morava João Menino com sua esposa, Dª Fernanda Carvalho (filha do Sr. Américo Carvalho) e seus filhos; no outro apartamento, o Chefe da Policia de segurança Pública, com sua mãe, sogra e esposa, Dª. Céu, e seus filhos: Paula e Tó, (que brincavam com os meus filhos: Fátima e José Carlos. A Fátima e a Paula foram juntas para a escola.
Eu e o chefe da polícia fomos colegas na Escola de Aplicação Militar de Angola em Nova Lisboa (Huambo). Servi o exército de Fevereiro de 1961 a Agosto de 1964. Devido as circunstâncias por todos conhecidas, fui para Portugal em Agosto de 1975 e em Agosto 1976 rumei ao Brasil - Campinas (SP); em 1978 fui transferido para Santos (SP), onde permaneço.
Recordei à minha filha Maria de Fátima que a sua 1.ª Escola foi a Bernardino Brochado e a Professora foi Fátima Luís, esposa de Amílcar Luís (Miquita); e que sua esposa, Cilita, também ai dava aulas entre outras. Minha filha é formada em Economia pela universidade Católica de Santos, casada, sem filhos; e meu filho, José Carlos, é casado e tem duas filhas: Amanda com 4 anos e Carina com 5 meses, que são a alegria dos avós: Isilda e Amândio. Meu filho é formado em Administração de Empresas e em Ciências Contábeis. Minha esposa Isilda, natural de São Bento - Cardigos, concelho de Mação, Ribatejo. Em Camacupa iniciou um reforço académico com a colaboração de Dª. Virgínia Bolota, fez o Magistério aqui em Santos e posteriormente formou-se em Pedagogia pela Universidade Unimonte. Isto para reforçar o comentário de que Camacupa forneceu, Médicos, Engenheiros, etc., etc..
Peço desculpas por algum lapso, inversão ou omissão de nomes que deixei de citar. Isso é fruto de trinta e três anos sem contacto com pessoas ou noticias de nossa terra, salvo quando visitei Portugal e troquei impressões com meus cunhados: Agostinho Sobreira e Rui Ribeiro, e também com José Pereira e sua esposa Maria do Carmo.
Noticias de Angola muito superficialmente, apenas pela RTP Internacional. Consultei famílias todavia não consegui entrar em OUTRAS FAMÍLIAS; meu filho um dia destes acessou e tinha um texto sobre as outras famílias e agora está em branco, provavelmente tenha havido qualquer divergência na sua origem.
Um cordial abraço e saudações camacupenses.
Amândio José Freitas 04/10/2008
Tinha que partilhar convosco toda esta alegria, toda esta satisfação porque, podem crer, continuo com Camacupa no coração.
1 - Vivi atormentado durante cerca de 2 anos porque no dia 24 de Dezembro de 2006 foi tornado publico o sítio “www.camacupa.com”, mas não foi possível apresentá-lo com todas as suas potencialidades.
Pensava eu que seria muito fácil pedir a todos os Camacupenses que fizessem as suas pequenas (grandes) biografias e que na volta do correio as teria todas sobre a minha secretária.
Quanto eu me enganei!
Sempre supus que aquele arreganho, aquele bairrismo, aquele amor que os Camacupenses denotavam pela sua terra se sobreporia a todas as vicissitudes que pudessem advir, como sejam a profunda tristeza pelo abandono forçado, a difícil integração em agregados populacionais meio blindados a contactos exteriores e a nostalgia pelo clima, pela gastronomia, pelos cheiros, pela terra e pelas gentes.
Cheguei à conclusão que tudo isto não servia de desculpa para esta falta de inércia, para a falta de afirmação dos valores que foram tão grandes, que nos levaram a construir aglomerados populacionais, a erguer grandes cidades, a dar-lhes alma e a conferir-lhes autêntica personalidade no seio do que era já uma Nação.
Sem dúvidas de qualquer espécie aqui estava incluída a cidade de Camacupa.
Ainda espero, porque como diz o ditado “quem espera sempre alcança”, porém procurei suplantar esta questão.
Encontrei um Camacupense de gema (como eu), muito popular, muito conhecido e que se entrega de alma e coração a tudo quanto diga respeito a esta urbe, que tantas lembranças nos traz. Propus-lhe que fizéssemos uma investigação profunda para conseguirmos incluir neste sítio, que é de todos nós, a listagem de todos os Camacupenses e de todos aqueles que, embora ali tivessem permanecido pouco tempo, tenham engrandecido o nome da nossa terra.
Ele agarrou a ideia não só com as mãos, mas com todos os seus sentidos e o trabalho vai prosseguindo e as perspectivas são fantásticas.
Embora, penso eu, não precisasse de apresentações eu apresento-vos o TONINHO SERRANO, como era conhecido entre nós. O trabalho, a investigação, as inúmeras horas gastas nestas pesquisas, a enorme conta telefónica já dispendida ao fim de alguns meses, deve-se em grande parte a ele, que se tem dedicado como a ninguém possa passar pela cabeça.
Eu e a minha mulher Cilita, pelo nosso lado, vamos com muito amor e alegria, dando o nosso melhor, não só incentivando, como investigando com profundidade todos os passos finais, para que a lista tenha também crescido, finalizando com a colocação no sitio de tudo isto ordenado na linguagem informática.
Por último quero fazer-vos, uma vez mais, um pedido: colaborem connosco para completamente trazermos à luz do dia o que foi esta nossa terra e por via disso deixarmos aos nossos filhos e netos o testemunho real do que os seus pais e avós conseguiram construir com denodo, esforço e sacrifício vivendo uma vida alegre, solidária e feliz.
A todos, sem qualquer distinção, Bem Hajam!
Um abraço,
Avantino Moreira
Podem escrever-nos, telefonar-nos ou ainda enviar-nos e-mails para:
AVANTINO SOUSA MOREIRA
Quinta do Valim – Apartado 11
8365-909 Armação de Pêra
Telefones 282 312 674 ou 282 356 394
Telemóvel 965 558 454
E-mail: avantino@sapo.pt