OS INDÍGENAS COMERCIANTES DA BORRACHA E DA CERA
Nos finais do século xx a chegada de uma caravana de negros, também chamada quibuca era um acontecimento muito importante porque com essas caravanas chegava muita riqueza.

Estes homens partiam do interior para o litoral angolano. Carregavam borracha, cera, azeite e produtos vários para trocarem e venderem. Havia locais onde as várias caravanas se reuniam e esperavam pelas mais atrasadas para se dirigirem, juntas, à povoação, indo directamente a casa do negociante local. Os negros reuniam-se em quibucas para assim fazerem as longas viagens, diminuindo o perigo de serem assaltados e roubados. Nos seus mutetes transportavam os quitos com azeite, a borracha em bolas ou em bocados e a cera em pequenos pães envolvidos em folha de bananeira. Uma esteira, à qual os mais abastados juntavam uma pele de onça ou de cabra, servia de cama ao longo da viagem; uma panela de barro para fazerem uma massa de farinha de mandioca ou milho chamada fúndji e uma cabaça para a água eram os utensílios destes comerciantes. Estas caravanas faziam pequenas marchas de manhã e à tarde, pelo que as travessias eram demoradas.

Chegados às povoações, o primeiro dia era de descanso, seguiam-se dois dias de negociações e mais um de descanso. Depois era a saída e o regresso ao ponto de partida. «[...] Vestidos com pannos novos, camisolas e chapéos, levando à frente bandeiras que arranjavam de lenços, punham-se a caminho no meio de grande gritaria e algazarra, cantando e tocando uns instrumentos ásperos e desafinados. Tal animação e alegria era consequência dos últimos copos de aguardente, que lhes tinham sido oferecidos na ocasião da partida para conservarem boas recordações do tratamento que tinham recebido do negociante com quem haviam efectuado o seu negocio [...]». In Álbum Photographico e Descriptivo, África occidental, J. A. da Cunha Moraes, David Corazzi-Editor, Lisboa, 1885-1888.
Algumas delas partiam de Camacupa e este nome tem muito a ver com tudo isto.