DIZ A MARIA DO CÉU MOREIRA DE MATOS…
Recebi das mãos do meu amigo Carlitos (o Carlos Cruz, filho da querida Dª. Palmira e do Sr. Ramos e irmão da Profª. Lourdes e da Fernanda, a Capitão do Colégio das Madres) as fotografias que foram tiradas no dia em que ele e os amigos que o acompanharam fizeram a memorável e algo heróica viagem às raízes da infância e juventude.
Destaco a enorme dose de coragem aliada ao grande amor pela terra, que permitiram se concretizasse o sonho que acalentou durante tanto tempo. Durante os longos anos passados em Portugal, sempre que encontrava o Carlitos, ele dizia-me esta frase:
- Eu vou a Camacupa...
Confesso que sempre acreditei que ele iria lá assim como acredito que Deus não vai deixar-me morrer sem tornar a beber a água do rio Júlio.
Sei que o Bertinho já fez notícia da viagem e agora torna-se imperioso que as imagens captadas se tornem eternas. Depois de as mirar vezes sem conta, com o Toni, com a minha mãe e os meus filhos tratei de ir ao correio enviá-las ao meu irmão Avantino que lhes dará o tratamento imortal da Net.
Imagino que para além das dificuldades da viagem, deve ter sido difícil fotografar: por imperativo do curto tempo disponível e problemas com o carregamento da máquina e rolos; as emoções e ansiedade de olhar a saudade de tudo; perguntar pelos conhecidos sem os encontrar; dar de caras com os reais vestígios da guerra e do abandono da terra.
Em toda a conversa com o Carlitos ficou clara a saudade mas também a esperança de que agora Angola só pode melhorar porque o pesadelo já acabou.
O QUE ELES DISSERAM…
Berto: tudo bem contigo?
Se ainda for a tempo e estiveres com o Carlos e Victor e ainda se eles forem a Camacupa agradeço que lhes peças, em meu nome, que tirem fotos á casa onde morei (em frente à Sirel) e porque não também à Sirel, uma perspectiva dessa avenida, à Casa dos Rapazes mesmo que esteja no chão, à sede do Delta, ao pavilhão que pertenceu ao Sr. Paula. Não estou a pedir demais e tudo o mais que vier será sempre óptimo.
Boa estadia para eles e um bj para todos.
Zé (12-01-2007 09:09)
Olá queridos amigos
Eu concluiria a mensagem da Zé Gonçalves pedindo a todos eles que fizessem uma grande reportagem fotográfica para que, se o permitirem, mostremos a todos como está a nossa terra nesta altura.
Um abraço para todos.
Avantino (12-01-2007 10:50)
Concordo com o Avantino: falta a escola, e mais o quarteirão do Sr. Bolota/Quental e mais a Pérgola e os jardins e mais as estradas, o quarteirão dos Désirats / o estádio de futebol / hospital / a capelinha antiga (que foi nossa igreja) e tanta coisa mais...
Boa reportagem
Zé (12-01-2007 16:56)
Oi gente Camacupense (sem esquecer os Catabolenses e os de outras bandas satélites...)
Os que foram a Camacupa, O Carlos Cruz e o Victor Barbedo, já voltaram a Luanda trazidos pelo Nelson Constantino que vive em Benguela.
Fizeram viagem de avião ate ao Kuito - Silva Porto, onde os esperava o Aires Rabaçal ido do Lobito e apoiados pelo Inoque Pedro foram de carro até Camacupa, mas voltaram no mesmo dia para o Kuito.
No dia seguinte continuaram viagem via terrestre ate ao Huambo - Nova Lisboa onde pernoitaram para mais uma vez no dia seguinte seguirem viagem para Benguela e Lobito. Ali pernoitaram de novo e no dia seguinte, então com o Nelson Constantino e esposa Geny vieram via Sumbe - Novo Redondo para Luanda. Foi um percurso por metade de Angola...
Mas foi para eles um choque muito grande o que viram e sentiram principalmente quando entraram em Camacupa. Por um lado a emoção de terem ido de novo à terra natal por outro lado a miséria, destruição e falta de manutenção que encontraram.
Estavam exaustos na quarta-feira quando os encontrei de novo no Restaurante Veneza (onde se come muito bem) e onde não houve tempo para muita conversa. Praticamente não vi nenhuma fotografia, mas eles tiraram bastantes. Como era de esperar houve problemas com as recargas das digitais e também não conseguiram encontrar pilhas apropriadas em Camacupa para uma das máquinas.
Mas devo dizer-vos que pelo facto de não terem encontrado pilhas, contrataram um fotógrafo em Camacupa para os acompanhar. Até parece surrealismo... E mais encontraram em Camacupa uma casa fotográfica a funcionar em pleno. O dono é um sujeito Chinês, que ao que parece vive na casa do Côrtes...
Amanhã, domingo o Carlos, o Victor e a Filó vão comigo ao Mussulo e ai espero poder conversar com mais calma e obter mais informações para vos dar.
Bertinho (20-01-2007 17:46)
Ontem, portanto domingo, pude obter mais informações sobre a aventura do Carlos e do Victor. É que foi mesmo uma autêntica aventura. Afinal, contrariamente ao que informei anteriormente, não pernoitaram no Huambo - Nova Lisboa. Eles seguiram viajem noite fora até Benguela. E não foi em jeep confortável, mas sim numa kombi de candongueiro por estradas esburacadas.
Vi algumas fotografias (muito poucas) que o Carlos tirou com a digital. As fotos em rolo tiradas pelo fotógrafo contratado ainda não estavam reveladas. Em Camacupa não estiveram muito tempo, infelizmente. Não há hotéis nem restaurantes (apenas uma tasca a funcionar na antiga casa onde era a loja do Marrocos). Continua a não haver água canalizada e a electricidade é escassa.
Camacupa continua muito degradada mas os edifícios do Estado estão quase todos reparados. Estava a ser reparado o edifício novo da Câmara Municipal que havia sido parcialmente destruído durante a guerra. Quanto às casas, as mais bonitas e bem arranjadinhas são a do Côrtes e a das minhas falecidas Tias-Avós Clarisse e Adelina que fica ao lado do Desportivo. Por incrível que pareça essa é uma das casas mais antigas de Camacupa, mas como foi construída a tijolo mantém-se bem de pé.
Bertinho (22-01-2007 11:20)
Parece que houve um encontro de Camacupenses algures em Lisboa para saberem as novidades e verem as fotografias do Carlos Cruz.
Pelo menos recebi um telefonema do Carlos Cruz e falei também com a Céu Secundino, o António Aurélio e o Mário Gerardo. Mas foi só um alô sem muito detalhe.
Será que o Germano também não esteva lá? Oh Germano conta lá novidades...
Bertinho (28-02-2007 14:02)
Efectivamente houve por aqui (zona de Lisboa) alguns encontros, em que o protagonista foi o Carlos Cruz. Tive a oportunidade e a sorte de estar num deles, em que o Carlos, no seu jeito peculiar, nos brindou com umas quantas histórias da sua recente ida a Angola, em especial a Camacupa.
Quanto às fotografias, teve a gentileza de me oferecer dois Cds gravados com elas, mais umas quantas exclusivamente de Camacupa, tiradas por um fotógrafo chinês ali residente e por ele contratado para o efeito, em virtude de não ter conseguido recarregar a bateria da sua máquina fotográfica, por não haver energia eléctrica na localidade.
São imagens que poderão provocar sentimentos díspares. Diz o ditado que "cada cabeça, sua sentença". No caso em apreço, direi: cada coração, sua emoção.
Tendo já visionado os Cds, confesso que tive - e tenho - grandes dificuldades em identificar a grande maioria das imagens. Agrava essas dificuldades o facto de as fotografias estarem dispersas nos Cds, sem qualquer anotação ou menção. Mesmo assim, estou a tentar fazer uma compilação das fotografias que dizem respeito a Camacupa, Cuanza e Catabola. Terei que pedir a colaboração do Carlos Cruz, o que não vai ser nada fácil, em virtude de residir a cerca de trezentos quilómetros de Lisboa. No que a Camacupa diz respeito, é óbvio que consigo identificar um grande número delas. Já no que concerne a Catabola, nem tanto; todavia, ainda consegui identificar algumas, como a Hospedaria Midões - pudera, ainda estão lá fixadas as palavras -, o portal do Campo de Jogos - parece ser a única coisa que resta do mesmo - e cinco que julgo serem da chitaca do pai do Nini, cuja casa parece estar em regular estado de conservação.
E por aqui me fico.
Germano Fernandes (03-03-2007 00:19)
As fotos são da "minha casa", pois a única coisa que existe é o chão em cimento. Ainda se vêem as marcas das divisões....A outra casa é uma construção recente feita por um "herdeiro" natural...com direito a parabólica. De quem será?
A relva do nosso campo está um pouco alta, mas assim não me marcam foras-de-jogo...
Nini (07-03-2007 21:25)
Eu não conhecia bem o teu "monte", mas, mesmo assim, deu para perceber que as fotos seriam do mesmo.
Quanto ao chão de cimento, julguei que fosse algum terreiro, em mau estado de conservação.
Já relativamente à casa, estranhei o seu bom estado, mas nunca pensei que já fosse outra, pois que na minha memória não existe a anterior.
Casa recente e com televisão - e sabe-se lá mais o quê -, numa zona com tantas carências..., só pode ser de alguém "muito importante".
Ver o Campo de Jogos naquele estado causou-me uma certa tristeza. Ali ganhei, ali empatei e ali perdi; mas, hoje, até das derrotas tenho saudades. Bolas, será que estou doente.
Germano Fernandes (10-03-2007 01:31)