CAMACUPA E A SUA EVOLUÇÃO NA HISTÓRIA
O SEU (DES)ENVOLVIMENTO ENTRECUZADO COM O C. F. B.
17 AGOSTO 1899 – Autorizada a construção e criado um fundo para o CAMINHO DE FERRO DE BENGUELA, a partir do LOBITO para CACONDA, num percurso de 220 km, financiado por impostos lançados em PORTUGAL e ANGOLA sobre a borracha exportada, a produção do álcool ou a importação de bebidas alcoólicas, a exportação do algodão em caroço e a venda de terrenos marginais à linha.
1 MARÇO 1903 – Início da construção do CAMINHO DE FERRO DE BENGUELA, com via larga, saindo do porto do LOBITO. Nesta Companhia os ingleses detinham 80% do capital, estando à cabeça da mesma Sir ROBERT WILLIAMS. O seu objectivo principal era o de transportar o minério do CATANGA. Teria uma extensão superior a l.300 km em ANGOLA, sendo os primeiros empreiteiros a firma "PAULING & Cª".
28 NOVEMBRO 1902 – Depois de estudos efectuados por CECIL LEARMOUTH na baía do LOBITO, concretizou-se a assinatura do contrato para a construção do CAMINHO DE FERRO DE BENGUELA, quando apenas um quinto da população se encontrava controlada pelo governo de LUANDA! Interferiu desta vez Sir ROBERT WILLIAMS, com o apoio da "TANGANYIKA CONCESSIONS" (com 90% na nova Companhia) e sendo o seu percurso pelo HUAMBO e não por CACONDA, como tinha sido previsto em Abril de 1894, até à fronteira leste, paralelo 12°, latitude sul. A saída pelo LOBITO era mais curta do que pela BEIRA para a exportação do minério do KATANGA, sendo esta concessão por 99 anos!
AGOSTO 1904 – Assinatura do contrato de construção do CAMINHO DE FERRO DE BENGUELA com a firma SRS. GRIFFITHS & Ca, do LOBITO à CATUMBELA, (e talvez BENGUELA), bem como ainda da construção da ponte cais do LOBITO e reconhecimento até CACONDA (km 240).
MARÇO 1905 – Inauguração da ponte férrea sobre o rio CATUMBELA (km. 13)
MAIO 1905 – Entra em exploração o troço do Caminho de Ferro de BENGUELA, até à CATUMBELA (km. 14), a cargo dos empreiteiros e seus construtores (SRS. GRIFFITHS & Cª).
JUNHO 1907 – Entra em exploração o troço CATUMBELA/BENGUELA (km. 26) do Caminho de Ferro de BENGUELA, a cargo dos empreiteiros SRS. GRIFFITHS & CO.
20 JUNHO 1908 – Entra em funcionamento o 1° troço do Caminho de Ferro de BENGUELA, pela própria Companhia, numa extensão de 200 km, entre o LOBITO e o CUBAL (km 197), a 907 metros de altitude. A localização das diversas estações de apoio ao C.F.B. gerou imensos protestos dos comerciantes de BENGUELA, que não estavam interessados no aumento do comércio pelo interior daquela zona, principalmente acima do CUBAL, por onde iam ficando as caravanas da borracha, cera e do marfim, vindas do longínquo sertão. Foi necessária a nomeação duma Comissão para os fixar e proibir a disseminação arbitrária do novo comércio. A Comissão foi constituída por: ROMA MACHADO, MARIANO MACHADO (pelo C.F.B.) e um comerciante.
Foi construída uma ponte em madeira no porto do LOBITO para descarregar os navios. Também fora negociado um Acordo com os "Caminhos de Ferro do KATANGA", e o do "BAIXO CONGO/KATANGA" sobre a sua entrada no CONGO BELGA, entre os paralelos 11° e 12°, bem como sobre a divisão das receitas brutas da futura exploração entre as três Companhias. Foram ainda iniciados y os trabalhos de abertura da estrada carreteira, do km 206, da linha férrea, para CACONDA e da ligação telegráfica de CACONDA ao CUBANGO.
Assinado novo contrato com a firma "SRS. PAULLING & Ca", para prosseguir a construção da linha férrea do C.F.B. até ao km 322 (CUMA) a l.400 metros de altitude.
9 JANEIRO 1911 – Início do "Comboio Mala" (serviço postal) pelo Caminho de Ferro de BENGUELA, ao longo da sua linha férrea.
31 JULHO 1911 - Conclusão da linha férrea do C.F.B. até ao km 360 (MONTE DO LÉPI) e sua abertura à exploração.
19 DEZEMBRO 1911 – Assinado um novo contrato para o troço do Caminho de Ferro de BENGUELA, entre o LÉPI e o km 426 (HUAMBO) e deste local ao km 519 (CHINGUAR), tendo entrado em exploração o percurso do CUMA ao LEPI (35 km).
DEZEMBRO 1911 – A situação económica e social era porém bastante melindrosa. Além da fome, foi também um ano de epidemia de varíola na região dos Ganguelas. Os Ovimbundos vêem-se, na necessidade de se sujeitarem ao "domínio do branco" e de aceitarem o trabalho que mais lhe convinha nas suas explorações agrícolas, pecuárias ou industriais, bem como aos Serviços Públicos, principalmente na abertura ou arranjo das estradas. Os reis nativos já não eram mais do que pequenos chefes, com pouca ou nenhuma autoridade sobre as populações, as quais haviam evoluído lentamente, convivendo cada vez mais com os seus então companheiros europeus, também por vezes sujeitos à exploração de alguns outros "europeus", oportunistas gananciosos, sendo assim, em muitos casos, "companheiros da desgraça", dos maus caminhos, doenças e perigos do sertão! No BAILUNDO e no BIÉ os comerciantes pararam os seus negócios da borracha que havia sofrido uma grande baixa de preço. Uma outra alternativa, a produção de álcool, atravessava mau período; as Convenções Internacionais haviam proibido o seu fabrico no Ultramar, além da aguardente e de qualquer outra bebida alcoólica. Nas cercanias da serra da CHELA, desde 1900, um dos grandes fabricantes de aguardente de cana sacarina, era o fazendeiro BERNARDINO FERNANDES FRAGA, cujo negócio estoirara numa acidental explosão, pela qual condenou um dos seus empregados nativos, que por sua vez também rebentou com a muita pancada dada pelo enfurecido FRAGA! Fugindo à justiça ou às represálias, desaparecera para os lados do HUMBE, disfarçado de funante e tendo mudado o seu nome para MANUEL JOAQUIM DE CARVALHO! Bem depressa conquistara a simpatia dos nativos e mesmo a amizade dos sobas que então confraternizavam com os missionários e agentes alemães do Sudoeste e com os quais o anterior soba, NANDE, negociarão seu próprio território (1910)! FRAGA, ou por outra, CARVALHO, era sempre recebido com honrarias pelo sobrinho e substituto, o jovem soba, MANDUME.
FEVEREIRO 1912 – Chegada do Caminho de Ferro de BENGUELA ao HUAMBO, depois do completo acabamento desde o LÉPI, num percurso de 40 km.
A localização da futura "Cidade do HUAMBO" foi feita pela Comissão nomeada para o efeito e presidida por ROMA MACHADO, entre quatro prováveis locais seleccionados: - o do FORTE, o do CAULULO, o de OMBIRA – I - ONGOMBE (ou COVA DOS BOIS), e o do CHINGUARI. Foi então escolhido o de OMBIRA, onde já estava a funcionar a Missão, não existindo ali morros de salalé!
10 JULHO 1912 – Aprovação de um projecto para o prolongamento do Caminho de Ferro de BENGUELA, desde o km 430 (HUAMBO) até ao km 783.
18 SETEMBRO 1913 – Chegada do Caminho de Ferro de BENGUELA ao CHINGUAR (km 519) e inauguração da sua Estação estando presente o governador NORTON DE MATOS e outras altas individualidades do HUAMBO e BIÉ. A povoação do CHINGUAR fica a 123 km de NOVA LISBOA e a pouco mais de 60 km de SILVA PORTO. Entretanto os alemães, por intermédio dos ingleses, entravam no Convénio sobre a divisão das receitas da futura exploração da linha férrea, comparticipando no capital da COMPANHIA DO CAMINHO DE FERRO DE BENGUELA.
Nesta altura ANGOLA passava a contar com 1.104 km de via férrea.
18 OUTUBRO 1913 – Entra em exploração o C.F.B. até ao CHINGUAR (km 519).
31 DEZEMBRO 1914 – A exportação da borracha atingiu as 2.500 toneladas (4.167 contos)
inferior aos últimos anos, verificando-se mesmo uma acentuada quebra. Isso fora devido ao facto da sua fraca qualidade, em especial a da "borracha das ervas" e a da extraída por maceração da casca e raízes, mal fabricada e apresentada, pela inclusão de matérias estranhas. A tudo isso aliava-se ainda o aparecimento da borracha importada do Oriente e do contrabando com os países vizinhos de ANGOLA. O seu precário transporte pelas caravanas, sujeitas ao calor e às chuvas, desde a zona interior (centro e norte) onde existiam as respectivas árvores, completava o ciclo da má qualidade final. Assim, o chamado "tempo da borracha", abrangera o período de 1874 a 1911/12, ou pouco mais; depois disso o seu valor entrou em queda. A maior parte foi sempre transportada em grandes caravanas, organizadas pêlos Bundos, com destino a BENGUELA, ou primeiro ainda, em pequenos grupos desde o GUANDO, CUITO, CUBANGO e CUNENE até MOÇA-MEDES, para a sua venda ou permuta por aguardente e tecidos, ou movimentando funantes à conta dos comerciantes, desde CACONDA ao BIÉ. Essas caravanas iam sempre "engrossando", chegando a ter mais de mil pessoas, incluindo mulheres e crianças! Já antes disso, a capital do sobado do BIÉ, por onde muitas delas passavam, era... "em toda a África cidade maior"... O trajecto das caravanas, não só as da borracha, como ainda as de escravos e do marfim, era efectuado pela designada "Culminância Transversal", ou seja a faixa litoral de CATUMBELA / BENGUELA às fronteiras da LUNDA, ainda antes das estradas e do Caminho de Ferro de BENGUELA! Era a verdadeira "rota das caravanas", separando a zona de sedimentação de KAROO, ao norte, da zona sedimentar do KALAHARI, ao sul. Era percorrida pêlos funantes e feirantes (comerciantes ambulantes) que faziam o seu negócio em feiras do interior com os produtos levados do litoral e regressavam com a borracha, cera, marfim, e mesmo ainda com alguns escravos, abrindo as rotas para o comércio através dos sertões, onde se instalavam os pombeiros e aviados ("agentes itinerantes", livres, libertos, forros) ou escravos, por todos os lados, havendo além dos europeus também muitos negros, mestiços e mulatos dedicados a essa actividade! O percurso entre BENGUELA e o BIÉ era efectuado por carregadores Bailundos e, do BIÉ para leste e norte, era feito por Bienos. Os Bundos tinham mais de um milhão de elementos ocupando os Planaltos do HUAMBO / BIÉ, com o centro no HUAMBO e com vários municípios: WAMBU, MBALUNDU, VIÉ e NGALANGI.
DEZEMBRO 1920 – Recomeçaram os trabalhos do prolongamento da linha férrea do C.F.B., paralisada no CHINGUAR em virtude da GRANDE GUERRA.
14 DEZEMBRO 1921 – Decreto nº 80 – Altera a designação (de 1913) das capitanias-mores para circunscrições administrativas, regulando o seu funcionamento. A Província de ANGOLA encontra-se dividida em 12 distritos: - LUANDA, BENGUELA, BIÉ, CONGO, CUANZA NORTE, CUANZA SUL, LUNDA, HUILA, MALANGE, MOÇAMEDES e MOXICO. Estes por sua vez estão divididos em: 1 concelho, 60 circunscrições civis, 11 circunscrições de fronteira e 210 postos civis (40 de la classe e 170 de 2a classe). Existem ainda as Intendências de fronteira: ENCLAVE DE CABINDA e CUBANGO (abrangendo parte do seu antigo distrito e as circunscrições de fronteira de BAIXO CUITO e do BAIXO CUBANGO a GUANDO.
FEVEREIRO 1922 – Foram criadas as Escolas Primárias de: ANDULO, CAALA, CAMACUPA (Escola Primária nº 52 de Bernardino Brochado), CATUMBELA, CHINGUAR, CUMA e VILA NOVA.
4 SETEMBRO 1925 - Inauguração do troço da linha férrea do C.F.B. entre SILVA PORTO-GARE e CAMACUPA (km 702 - no BIÉ) com a presença do governador do distrito e com bênção dada pelo reverendo P.e VIEIRA. Até ali chegavam então os carregadores Ganguelas com suas mercadorias para a permuta.
DEZEMBRO 1925 – Foi prorrogado prazo, por mais dois anos, para a conclusão da linha do CAMINHO DE FERRO DE BENGUELA, depois de uma paragem de 9 anos no CHINGUAR e que já devia estar concluída desde 1923; - chegara entretanto ao CUANZA (km. 725), a 98 km de SILVA PORTO a cargo dos mesmos empreiteiros, devendo ainda ser ali construída uma ponte metálica com 160 metros de comprimento.
5 SETEMBRO 1926 – Entra em exploração o troço da linha do C.F.B. entre SILVA PORTO-GARE e o CUANZA (km 725), já concluído há algum tempo.
27 NOVEMBRO 1927 – O CAMINHO DE FERRO DE BENGUELA chega ao rio LUMEJI (km 1.134), no MOXICO, antiga fronteira.
1 MARÇO 1928 – Entra em exploração o troço da linha do C.F.B. desde CAMACUPA (km 720) até ao LUAKANO (CASSAI - km 1.156), na antiga fronteira leste depois de construídas as pontes sobre os rios QUIVA, QUELI e LUMEJI estando também já concluídas as obras do cais acostável do LOBITO.
14 MAIO 1934 – Decreto nº 23.848 – Divisão Administrativa de ANGOLA em 5 províncias e 14 distritos. A província de LUANDA engloba os distritos de: LUANDA, CABINDA, ZAIRE, CONGO e CUANZA NORTE; a província de BENGUELA abrange os distritos de: BENGUELA, CUANZA SUL e HUAMBO (desanexado de BENGUELA). O distrito da LUNDA é integrado na província de MALANJE. A Província da HUÍLA engloba os distritos de HUÍLA, CUNENE e MOÇÂMEDES (- v. 15-11-1933) – a do BIÉ – engloba BIÉ e MOXICO.
31 AGOSTO 1935 – D. L. nº 740 – A vila de SILVA PORTO passa a cidade.
31 DEZEMBRO 1936 – Fundação das Missões dos DEMBOS, de DILOLO e de NOVA SINTRA (BIÉ).
27 FEVEREIRO 1937 – Foi alterada a Província do BIÉ, com sede em SILVA PORTO, criado o Concelho de CAMACUPA, que anteriormente tinha o nome de CATANGANHA, com sede em CAMACUPA, situada no km 703 da linha férrea do C.F.B. e formada uma Junta Local cujo presidente foi o Senhor José Martins (Cameia).
JANEIRO 1940 – Foi criada uma taxa especial de trânsito nos concelhos de: BIE, MOXICO, CAMACUPA e ANDULO.
3 NOVEMBRO 1941 – Nomeação de D. ANTÓNIO ILDEFONSO DOS SANTOS SILVA para primeiro Bispo da Diocese de SILA PORTO, abrangendo os distritos do BIÉ, CUANDO/CUBANGO, MOXICO e da LUNDA, ou seja, uma área que era quase metade de ANGOLA. Fora Superior e Vigário-Geral das Missões Beneditinas no MOXICO.
31 DEZEMBRO 1943 – O governador geral inaugurou: - o INSTITUTO MODERNO para o Ensino Liceal, em SILVA PORTO e, em GENERAL MACHADO (CAMACUPA), duas fábricas de descasque de arroz assim como o novo edifício da Administração do concelho.
12 MAIO 1944 – Despacho proibindo a saída de gergelim pelo C.F.B., em CAMACUPA, para abastecer a fábrica do CHINGUAR.
15 JANEIRO 1947 – Concede o exclusivo da produção do rícino nos concelhos de BIÉ, ANDULO, CAMACUPA, e ALTO CUANZA à Companhia Indústria e Comércio de ANGOLA (ACIC).
15 SETEMBRO 1948 – P. R nº 6.423 - Cria a povoação do LUANDO, no concelho de CAMACUPA (BIÉ).
6 ABRIL 1949 – Por Diploma Legislativo do então Governador-Geral, Capitão Agapito da Silva Carvalho, o concelho de CAMACUPA passa a 2a classe, sendo criada a sua Comissão Municipal tendo como presidente o senhor José Martins (Cameia); tinha 600 trabalhadores indígenas.
14 MAIO 1952 – P. P. nº 7.837 – Empréstimo do BANCO DE ANGOLA para despesas de instalação da energia eléctrica e dos serviços de água do município de CAMACUPA.
28 ABRIL 1954 – P. P. nº 8.547 – 8.548 – 8.549 – criação de povoações nos concelhos de: CACONDA, QUILENGUES, CHIBIA, GAMBOS, SELES, ANDULO e CAMACUPA.
31 DEZEMBRO 1954 – Criadas as Missões de: HANHA (CUBAL) e a de CAMACUPA (BIÉ); Chegaram a ANGOLA os primeiros "Irmãos Maristas".
7 MARÇO 1955 – Nomeação de D. MANUEL ANTÓNIO PIRES para coadjutor do Bispo de SILVA PORTO.
27 FEVEREIRO 1957 – P. P. nº 9.712 – Aprova os Estatutos do Grémio dos Industriais do Descasque de Arroz dos distritos de: BIÉ, MOXICO e LUNDA.
13 MARCO 1957 – P P. nº 9.731 – Concede foral à cidade de SILVA PORTO.
31 DEZEMBRO 1961 – Foi criada a Câmara Municipal de “GENERAL MACHADO” (CAMACUPA – distrito do BIÉ), tendo sido seu primeiro Presidente o Administrador de Concelho Rui Clemente Teixeira.
31 DEZEMBRO 1962 – Fundação do jornal "A Voz do BIÉ" (quinzenário).
31 DEZEMBRO 1965 – Portaria nº 14.062 – Eleva Corpos Administrativos a Câmaras Municipais e Juntas Locais a Comissões Municipais nos distritos de: CABINDA – ZAIRE – UIGE – LUANDA – CUANZA NORTE – CUANZA SUL – MALANJE – LUNDA – BENGUELA – HUAMBO – BIÉ – MOXICO – HUILA – MOÇAMEDES E CUANDO CUBANGO.
25 MARÇO 1967 - Foram criadas as Escolas Técnicas Elementares de: VILA NOVA DO SELES, SANTA COMBA (CELA) e de GENERAL MACHADO (CAMACUPA).
7 OUTUBRO 1968 – Foram criadas as seguintes Escolas do Ensino Secundário: - LUANDA (2) – NOVA LISBOA (2); uma nas seguintes localidades: - BELA VISTA - BENGUELA - CABINDA - CACONDA - CARMONA - CUBAL - DONDO -GABELA - HENRIQUE DE CARVALHO - LOBITO - LUSO - MALANJE - MOÇAMEDES - NOVO REDONDO - PORTO AMBOIM - QUIBALA -ROBERT WILLIANS - SALAZAR - SERPA PINTO e SILVA PORTO. Foram convertidas em Preparatórias do Ensino Secundário as Escola Técnicas Elementares de: LUANDA ("JOÃO CRISÓSTOMO" e "EMÍDIO NAVARRO") - FOLGARES - GÉNERO MACHADO (CAMACUPA) - GOLUNGO ALTO – MARIANO MACHÁDO (GANDA) - NEGAGE - PORTO ALEXANDRE - SANTA COMBA (CELA) - TEIXEIRA DA SILVA (BAILUNDO) e VILA NOVA DE SELES.
16 ABRIL 1969 – VILA GENERAL MACHADO foi elevada à categoria de cidade, a 16 de Abril de 1969, por Diploma Legislativo n.º 3.905, do então Governador-Geral Tenente-coronel Rebocho Vaz.
2 JUNHO 1969 – Sessão solene na Câmara Municipal de GENERAL MACHADO (CAMACUPA) em que foi anunciada publicamente a sua elevação a cidade.
13 JUNHO 1970 – Criação da Diocese de BENGUELA e nomeação do seu primeiro Bispo, D. ARMANDO AMARAL DOS SANTOS, natural do CAPEIO (CHINGUAR - distrito do BIÉ - e pároco de CAMACUPA (GENERAL MACHADO).
2 AGOSTO 1970 – Ordenação Episcopal de D. ARMANDO AMARAL DOS SANTOS na Catedral de Benguela.
13 OUTUBRO 1973 – Faleceu o Bispo de BENGUELA, D. ARMANDO AMARAL DOS SANTOS num acidente de viação a caminho da Missão do BALOMBO; - tinha 44 anos de idade.
31 DEZEMBRO 1973 – As tropas angolanas integradas no Exército Português em ANGOLA totalizavam 42% das mesmas. As Forças Armadas portuguesas tiveram as seguintes baixas (segundo informações SIP): - mortos em combate - 83; mortos em acidentes-41. Desde 1961 haviam falecido 2.991 militares portugueses (em combates -1.526; em acidentes-1.210; por doenças-255) e ficado feridos 10.675 (em combates - 4.472 ; em acidentes - 6.203); o total dos efectivos intervenientes fora de 147.200 indivíduos. Os 1.526 mortos em combates pertenciam ás seguintes Forças: Armada - 1.088; Marinha - 13; Aviação - 41; Recrutas "coloniais" -384.
A situação geral em ANGOLA era normal, com a zona norte pacificada; uma parte da população que se refugiara além fronteiras tinha iniciado o seu regresso. O general SPÍNOLA fora nomeado para o novo cargo de Vice-Chefe do Estado Maior General.
Durante o corrente ano deram-se ainda os seguintes factos: -fundação do Banco Inter-Unido (do Banco Espírito Santo?); transferência da maioria das acções da Companhia de Açúcar de ANGOLA e da Refinaria ANGOLA, de MATOSINHOS, ao grupo SOUSA LARA; - existiam 1.542 centrais eléctricas, sendo: 1.472 termoeléctricas e 70 hidroeléctricas, utilizando 2.348 km de linhas para o seu transporte: - a cidade de LUANDA consumia cerca de 50% dessa energia.
Principais produções, em toneladas: - Algodão - 79.000; - Banana fresca -100.000; - Café - 225.000; - Cana de Açúcar - 967.000; - Cimento -767.000; - Crueira - 1.100.000; - Diamantes - 2.125.000 (ou 2.022.000-?- quilates); - Farinha de Peixe - 96.300; - Fuelóleo 294.000 (129 mil contos);- Milho -300.000; - Minério de Ferro - 6.052.000; - Minério de Manganês -12.000; - Óleo de Palma - 48.000; - Óleo de Peixe -15.200; - Petróleo bruto - 8.175.000; - Sabão -184; - Sal - 97.000; - Sisal - 60.000; - Tecidos - 22.781 (metros); - Trigo -12.000. As exportações somaram 15.446.000 (?) toneladas, sendo as principais: - Algodão - 23.300; - Açúcar - 9.700; - Arroz - 2.500; - Banana fresca - 77.000; - Café -218.700; Diamantes - 2.111.000 (quilates); - Farinha de Peixe - 89.000; - Feijão -28.600: - Madeiras - 182.000: - Milho - 112.000;- Minério de Ferro - 6.330.000; Peixe Fresco - 45.000; Peixe Seco -16.000; Petróleo - 7.323.000; - Sisal - 53.000. A taxa de crescimento das Exportações desde 1965 atinge 12,6%, o dobro da do vizinho ZAIRE. O petróleo passou a liderar as Exportações (30%), logo seguido do Café (26% - sendo ANGOLA o 4° exportador mundial!) e dos Diamantes (10%). Os principais mercados importadores foram: - os EUA - (28%), PORTUGAL (25%) e o CANADÁ (10%).
As Exportações totalizaram o valor global de 19.158.221 contos, sendo as mais destacadas (em contos): - Algodão - 620.000; - Banana Fresca - 313.000; - Café -5.080.000; - Diamantes - 1.999.000; - Farinha de Peixe - 740.000; - Madeiras -270.000; Milho -250.000; - Minério de Ferro -1.211.000; - Peixe Fresco - 349.000; - Peixe Seco -115.000; - Petróleo - 5.755.000; - Sisal - 468.000.
As Importações totalizaram 1.055.000(7) toneladas no valor de 13.268.873 contos. O Orçamento Geral da Província era de: 16.330.711 contos de Receitas e de 15.733.857 contos de Despesas. Fora proibida a importação do vinho português (a 7SOO o litro) por troca do vinho ("zurrapa") da ARGÉLIA (a 2$00 o litro), sabendo-se que era um país que apoiava os "Movimentos" em rebelião!
O III Plano de Fomento (1968/1973), totalizara o valor de 25.383.500 contos, sendo:
- 58,9% para as Indústria extractivas e transformadoras; 14,9% para Transportes, Comunicações e Serviços Meteorológicos; 8% para Agricultura, Silvicultura e Pecuária; 5,4% para a Educação e Investigação Científica; Diversos - 12,8%. A comparticipação do governo de ANGOLA para a sua execução foi de 5.791 contos, cerca de 20% do total.
A aplicação desse III Plano de Fomento influenciou o aumento da taxa de crescimento para 28%! O PIB crescera espantosamente de 4%, (entre 1953 e 1963), para 7% (entre 1960 e 1973), atingindo a cifra astronómica de 84 milhões de contos, correspondentes a 2 biliões e 800 mil dólares; a massa monetária aumentara 43% entre 1960 e 1973!
31 DEZEMBRO 1974 – Ainda havia 500.000 alunos matriculados nos ensinos oficial e particular, correspondendo a 8% da população total, média considerada de destaque para o continente africano! Nas missões católicas e noutras instituições religiosas estudavam cerca de 150 mil alunos e na Saúde havia então: 11 hospitais, 60 dispensários, 12 maternidades e 2 leprosarias.
Em ANGOLA existiam cerca de 800 mil protestantes; a acção das diversas instituições religiosas era então apoiada por: - Congregação de S. JOSÉ DE CLUNY com: - 72 irmãs africanas e 101 europeias; nas Franciscanas Missionárias de Maria havia uma irmã africana e 12 europeias; as Irmãs Doroteias tinham 118 irmãs nos seus Colégios de SÁ DA BANDEIRA, BENGUELA e LUANDA; nas irmãs do Santíssimo Salvador existiam 32 irmãs africanas e 41 europeias. No total havia: -118 sacerdotes angolanos e 428 não angolanos; - Irmãs -158 angolanas e 753 não angolanas.
Produções: - na totalidade a indústria aumentara 40% (para 2,5 milhões de contos) e na alimentar 25% (para 5 milhões de contos). Nas Exportações o Petróleo (crude) assumia um grande relevo, superior a 5,5 milhares de toneladas no valor bruto de 15 milhões de contos, superior à soma de todas as outras principais (Café - Diamantes - Ferro - Sisal - Derivados de Pesca - Algodão - Milho). O Café disputava o 2° lugar na produção mundial ao lado da COSTA DO MARFIM. O Orçamento Geral de ANGOLA era o 3° maior em ÁFRICA, só superado pelo da ÁFRICA DO SUL e o da RODÉSIA!
30 SETEMBRO 1975 – Termina "oficialmente" a operação "PONTE AÉREA" em ANGOLA, por intermédio da qual foram evacuados para PORTUGAL (com partidas de NOVA LISBOA e de LUANDA), cerca de 600 mil dos seus residentes (metropolitanos e angolanos, sem distinção de raças). Durante este mês (?) e em face da presença cada vez maior e concentrada dos deslocados nas cidades de NOVA LISBOA e de LUANDA, foi necessário proceder ao reforço desses meios; assim entraram ao serviço os grandes aviões da ALEMANHA, dos EUA, da FRANÇA, da INGLATERRA, de MOÇAMBIQUE e mesmo da RÚSSIA. As povoações e outras cidades do interior ficavam "desertas", porque, pelo mínimo descuido, corriam um risco máximo, por vezes mesmo o da própria vida! Essa concentração de muitos milhares de pessoas, registava-se em especial nos seus Aeroportos transformados em verdadeiros e quase únicos refúgios que ofereciam uma relativa segurança, onde ainda se podiam ver alguns militares portugueses (às vezes misturados com outros), em longas horas de espera e angústia, mesmo de dias, sem o mínimo de condições higiénicas nem de outros apoios sempre necessários. Crianças, mulheres, idosos e doentes nem sequer tinham um simples colchão para se sentarem ou deitarem! Mesmo aí verificaram-se ainda alguns abusos de certas "pseudo autoridades", bem armadas e ameaçadoras!
Tudo faltava; reinava o oportunismo, a especulação, a exploração desenfreada. Era necessário obter os principais meios de sobrevivência e abandonar todos os restantes, os bens materiais, (casa, carros, móveis...) e até os empregos; só alguns amigos e familiares mais próximos se iam mantendo unidos. O objectivo principal e final era "apanhar um lugar" num dos aviões da Ponte Aérea, mesmo abandonando as últimas bagagens! Bastava a roupa do corpo e a carteira com os documentos, porque os "desgraçados" escudos angolanos, emitidos pelo Banco Português, já de nada valeriam ao chegarem ao Continente (como os tempos mudam!). Os oportunistas lá estariam à espera dos "colonialistas", dos "exploradores" para então sim, os explorarem, para os espremerem até deitarem sangue! A cada viajante ou pessoa de família ("retornados") só era permitido transferir uns magros cinco mil escudos, contrariando promessas assumidas!