Entrar sexta-feira, 30 de Julho de 2010
 Dados Estatísticos

28 NOV 1902 – Concessão a Sir Robert Williams, fundador do CFB.

 

25 MAI 1903 – Constituição da Companhia de Caminho de Ferro de Benguela.

 

28 AGO 1928 – Conclusão da construção do Caminho de ferro.

 

10 JUN 1929 – Inauguração solene, com a presença de um membro da família real britânica, que pernoitou no Lobito.

 

Capital inicial: 13.500.000$00 Reis = 3.000.000 Libras esterlinas.

 

Extensão da linha: 1.345,928.6 km, incluindo obras de engenharia.

 

No final da década de 60, o CFB registava cerca de 14.000 empregados que, com as suas famílias, somavam cerca de 44.000 pessoas.

 

O CFB detinha a maior plantação de eucaliptos do mundo, que se estendia ao longo de grande parte da sua linha. Em 1967, somavam 95.773.093 pés.

 

O mais famoso caminho-de-ferro português, o Caminho de Ferro de Benguela (CFB), era também o mais comprido (1. 348 km), e o de maior valor económico, politico e estratégico de todos os territórios portugueses, incluindo a pequenina metrópole. Atravessava Angola, desde o mais movimentado porto da costa Ocidental africana, o Lobito, até à outra costa.

 

Em 1903 partiu de Benguela e em várias etapas subiu o Planalto (1854 m), sendo lendária a fundação de Nova Lisboa por Norton de Matos, ao km 426. Chega ao Chinguar em 1913 e a 31 de Janeiro de 1924 (durante a 1.ª Guerra a construção esteve parada) finalmente a SPorto.

 

O CFB possuía certas grandezas dignas de um império fabuloso. Eram dele as mais bem organizadas oficinas de combóios de toda a África, incluindo as Sul-Africanas, e para a companhia trabalhavam perto de 200 locomotivas, algumas delas Garrat, as mais poderosas do mundo (só assim conseguiam puxar os vagões com o minério da Zâmbia, num interminável clank-clank). Não era totalmente portuguesa. Teixeira de Sousa soube lutar pelo enquadramento português, clausulou bem o contrato, mas deu liberdade aos ingleses, em particular ao eng. escocês Robert Williams, para montarem uma orgânica. O contrato terminava ao fim de 99 anos (2002).

As saudades infindas que sinto desse elemento tão bem inserido na paisagem. Dos quilengues vistos através da janela do combóio-mala. Das anharas, das rectas que não paravam (havia uma no Moxico com mais de 60 kms). Das pontes-obras-de-arte, dos milhões de eucaliptos, facto que dava ao CFB o primeiro lugar do mundo inteiro entre as companhias plantadoras. Dos serviços médicos, culturais, desportivos. Das gentes que subiam ansiosas e das que desciam sorridentes pela aventura da viagem. E de um pequeno nó na garganta pelo aceno dos que partiam: éramos tão poucos na imensidão do Planalto...


    
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